Hipertermia maligna anestésica: o que é, como prevenir e tratar

A  hipertermia maligna é uma uma elevação rara da temperatura corporal  ocasionada por uma desordem farmacogenética letal que afeta indivíduos geneticamente predispostos. Ocorre em pacientes sensíveis a alguns tipos de anestésicos para procedimentos cirúrgicos, seja no início, ou durante a anestesia e até mesmo no período pós-operatório imediato.

A incidência da hipertermia maligna ainda não é bem definida, entretanto está descrita em todos os grupos étnicos, em ambos os sexos, mas mais comum em homens e sabe-se que há maior incidência de hipertermia maligna em pacientes pediátricos do que entre adultos de meia-idade e idosos. Porém, estima-se que possa variar de 1:14.000 a 1:200.000 pacientes submetidos à anestesia geral. 

A temperatura corporal, para ser considerada normal, precisa manter-se entre 36°C e 37,5°C. Na hipertermia maligna, a temperatura é ≥ 40°C e pode ser extremamente alta (>43°C). A elevação da temperatura é fatal, resultante de uma resposta hipermetabólica ao uso de relaxantes musculares e anestésicos voláteis, apresentando efeitos deletérios, envolvendo déficits na liberação de cálcio. As manifestações clínicas clássicas, além do aumento da temperatura, são rigidez, lise muscular, acidose metabólica e respiratória e envolvimento cardíaco. As complicações da hipertermia maligna incluem disfunção cardíaca, edema pulmonar, insuficiência renal, coma, coagulação intravascular disseminada, disfunção hepática, síndrome compartimental e intubação prolongada.

É importante salientar que a hipertermia maligna ocorre apenas em pacientes com predisposição genética hereditária. Portanto, na consulta pré-anestésica, o anestesista fará uma anamnese, ou seja, uma entrevista sobre seu histórico de saúde, em que  é relevante a informação de algum familiar com este problema. Após a anamnese, o médico  solicitará exames para realizar uma avaliação clínica. 

O tratamento imediato consiste em resfriamento corporal, administração de medicamento endovenoso e medidas de suporte, segundo o protocolo de tratamento internacionalmente recomendado, baseando-se na interrupção da exposição aos agentes desencadeantes da hipertermia maligna, administração de medicamento específico (dantroleno) e medidas de apoio ou destinadas à prevenção de complicações associadas, tais como: 

1. Substituição do circuito de anestesia por outro não contaminado por agente anestésico; 2. Hiperventilação do paciente com O2 100%; 

3. Resfriamento externo e, se necessário, interno; 

4. Correção da acidose metabólica; 

5. Redução da hipercalemia; 

6. Correção das arritmias cardíacas; 

7. Manutenção da diurese.

Para fins de estudos e pesquisas, é fundamental o detalhamento da incidência de casos a partir da notificação compulsória, mediante preenchimento de formulário de eventos adversos da instituição onde ocorreu o evento.

Como meta de segurança do paciente, antes de qualquer indução anestésica, a OMS recomenda um checklist de cirurgia segura. O checklist de cirurgia segura tem três momentos: Entrada (antes da indução anestésica), Time Out (antes da incisão cirúrgica) e Saída (antes do paciente deixar o centro cirúrgico).

Os anestesiologistas da CMA seguem as recomendações da OMS baseadas em evidências científicas para garantir resultados positivos à segurança do paciente. 

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